Para a maioria dos empresários, escolher o Simples Nacional é quase automático. O nome ajuda: parece o caminho mais fácil e mais barato. E, em muitos casos, ele é mesmo a melhor opção.
O problema é tratar isso como regra fixa. O Simples nem sempre é o regime que faz a sua empresa pagar menos imposto. Dependendo do faturamento, da margem de lucro, do tamanho da folha e do setor, ele pode custar bem mais do que o Lucro Presumido ou o Lucro Real.
E essa conta ficou ainda mais importante agora. Com a reforma tributária começando a valer, rever o regime deixou de ser tarefa de fim de ano para virar decisão estratégica.
Por que o Simples virou sinônimo de melhor regime
O Simples Nacional reúne vários impostos em uma guia única, o DAS, e simplifica boa parte das obrigações. Para uma empresa pequena, com margem equilibrada e folha relevante, isso costuma significar menos imposto e menos burocracia ao mesmo tempo.
Esse cenário é tão comum que criou um atalho mental: se é pequeno, vai de Simples. O atalho funciona até o dia em que os números da empresa mudam e ninguém refaz a conta.
Quando o Simples deixa de compensar
Existem situações bem concretas em que outro regime pode sair mais barato. Veja as principais.
Empresa de serviço com folha baixa
No Simples, muitas atividades de serviço são definidas pelo Fator R, que é a relação entre a folha de pagamento e o faturamento dos últimos 12 meses.
Se a folha representa pelo menos 28% do faturamento, a empresa é tributada pelo Anexo III, com alíquota inicial de 6%. Se fica abaixo de 28%, cai no Anexo V, onde a alíquota começa em 15,5%. Para um prestador de serviço com poucos funcionários e boa receita, essa diferença é enorme, e o Lucro Presumido pode terminar mais barato.
Margem alta ou faturamento perto do teto
O Lucro Presumido calcula o imposto sobre uma margem de lucro fixa, presumida pela legislação. Quando a margem real da empresa é bem maior do que essa presunção, pagar imposto sobre a margem presumida pode ser mais vantajoso.
Vale o mesmo alerta para quem está chegando perto do teto do Simples, que é de R$ 4,8 milhões de faturamento por ano. Perto desse limite, as alíquotas do Simples sobem e quase sempre vale comparar com os outros regimes.
Venda para outras empresas
Quem vende para pessoa jurídica precisa olhar para o crédito de imposto. Empresas nos regimes normais aproveitam créditos sobre o que compram, e o Simples transfere crédito de forma limitada.
Na prática, isso pode tornar a sua empresa menos competitiva diante de um cliente que prefere um fornecedor capaz de gerar crédito integral. A reforma tributária deixa esse ponto ainda mais visível, porque o aproveitamento de crédito passa a ser central no novo modelo.
Negócios com muitos insumos
Indústria, distribuição e comércios que compram muito têm um caminho a avaliar no Lucro Real. Nesse regime, a empresa abate créditos de PIS, COFINS e ICMS sobre as compras.
Para quem tem um volume alto de insumos, esses créditos reduzem bastante o imposto a pagar e, em alguns casos, superam a economia que o Simples ofereceria.
A reforma tributária mudou o jogo
A criação do CBS e do IBS, os novos tributos da reforma, muda a lógica de crédito e a forma de apuração ao longo dos próximos anos. Empresas do Simples vão precisar decidir, já em setembro de 2026, como esses tributos serão cobrados a partir de 2027.
Isso significa que a escolha de regime não pode mais ser tratada como algo definido uma vez e esquecido. O cenário está em transição, e a decisão certa para 2025 pode não ser a melhor para 2027.
Como saber qual regime é o melhor para você
Não existe resposta única. O regime ideal é o que resulta em menos imposto para a realidade da sua empresa, considerando faturamento, margem, folha, setor e perfil de clientes.
A forma correta de decidir é simular os três regimes com os seus números reais, não com estimativas genéricas. Essa análise costuma revelar economias que passam despercebidas quando a empresa segue no piloto automático.
| Regime | Tende a compensar quando |
|---|---|
| Simples Nacional | Empresa menor, folha relevante e margem equilibrada |
| Lucro Presumido | Margem real alta ou faturamento perto do teto do Simples |
| Lucro Real | Muitos insumos com crédito ou margem baixa |
Escolher o regime tributário não é burocracia, é estratégia. A diferença entre o regime certo e o errado aparece todo mês no caixa, e some quando ninguém revisa.
Na Sorttcon, fazemos essa análise de forma contínua para cada cliente, com 38 anos de experiência e uma equipe dedicada a manter a empresa pagando o justo, nem mais nem menos. Acompanhar cada mudança tributária antes que ela vire problema é parte do nosso trabalho.
Se faz tempo que ninguém compara o seu regime com as alternativas, talvez a sua empresa esteja pagando mais imposto do que precisa.
Fontes oficiais: Lei Complementar nº 123/2006 (Anexos III e V) e Receita Federal. O Anexo III começa em 6,00% e o Anexo V em 15,50% (1ª faixa, receita até R$ 180 mil); o Fator R de 28% e o teto de R$ 4,8 milhões constam das tabelas oficiais do Simples Nacional. Reforma Tributária: Resolução CGSN nº 186/2026.
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